quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Agir com coragem e determinação


Esta é a tônica do especial de hoje, que nos convida ao movimento consciente. Ação que dá seguimento à observação clara, aquela que nasce da nossa essência, que no silêncio interior encontra inspiração, respostas e o indispensável estímulo. Somos seres perfeitos e dispomos de tudo; absolutamente tudo o que precisamos está ao nosso alcance, pronto para o uso... só falta fazer. Realizar nossa missão (todos temos uma), cumprir nossa única tarefa na teia da vida para que nossa encarnação tenha valido a pena, mesmo que a contribuição tenha sido aparentemente silenciosa, humilde e bem longe dos holofotes, da aprovação alheia, da cobertura da mídia.
Se ainda precisamos -todos nós-, discorrer sobre isto, é sinal que não estamos cumprindo com nossa tarefa; provavelmente estamos acomodados, cansados de tanto trabalhar, de tantas dificuldades nos assolando diariamente e exigindo um enorme dispêndio de energia, que acaba nos deixando apáticos, por vezes indiferentes e até totalmente adaptados com a situação. Sei bem como é fácil ao chegar em casa, cair na tentação de ligar a TV e desabar no sofá na esperança que a cada vez mais pobre programação das emissoras nos brinde com algo legal, positivo e que nos distraia a mente, nos permitindo relaxar e dar finalmente algumas boas risadas.
No entanto, se ainda nos encontramos assim, esperando que o dia termine o quanto antes, e que a noite -com seus raros sonhos-, nos permita uma fugaz escapada da realidade e da rotina, bem... algo precisa ser feito e o quanto antes. Precisamos -quem sabe- resgatar a energia, a curiosidade e o deslumbramento daquela criança que fomos, feliz e incansável por suas descobertas, sua capacidade de achar um mundo novo em um simples objeto de pano, num animal doméstico, no céu noturno cheio de estrelas prateadas...
Quando foi que nos perdemos no caminho, nos afastando tanto assim da Fonte, da Origem, do Universo ao qual pertencemos de fato desde sempre?Será que o mundo da ilusão (O real é o de quando éramos crianças), conseguiu nos formatar num padrão distorcido, embotar nossa consciência, embaçando quase por completo nossa visão? Abafamos nosso poder, bastando nos rendermos e aceitarmos por completo os valores materiais, o consumismo compulsivo e predominante, esquecendo de vez nossa linhagem divina... Quanto tempo e energia desperdiçaremos ainda antes de retornar ao caminho correto? Como podemos nos contentar com as migalhas de um banquete trivial quando nos espera um êxtase permanente, magnífico e sagrado -impossível de descrever, só experimentando-, que nos pertence desde sempre, sendo parte de nossa natureza e, ainda melhor, que mora dentro de nós mesmos!?
Por que entregamos a outros, ardilosos e sombrios sugadores, nossa energia divina!? Como e quando abrimos mão da essência e deixamos os valores perenes de lado, esquecidos?! É indispensável assumir novamente a autonomia e a integridade de nossas opiniões, criando coragem para sairmos de um círculo vicioso de controle e condicionamento externo, que nos esmaga e massifica. Precisamos cerrar fileiras, manter os olhos bem abertos para evitar que as trapaças urdidas pelos manipuladores de plantão nos tirem a saúde, a paz e o centramento. É urgente voltarmos a vibrar autoconfiança, auto-estima e, acima de tudo, amor incondicional, aquele que cura, resgata, volta para nós multiplicado e que se encontra por toda parte, abundante e sempre disponível a todos como a luz, o ar, a água...
É imprescindível reconhecer e resgatar a sublime energia da Unidade, ter atração pelas diferenças, enxergar muito além do físico, do palpável; navegar sem medo no grande mar do inconsciente, nele encontrando alento e respostas pertinentes às necessidades da Alma. Não há como esquecermos ainda de que nossa passagem pelo planeta azul é fugaz, rápida e corresponde a uma simples respiração do Universo, tendo sempre em mente que a impermanência é a mais constante companheira de jornada, sugerindo-nos evitar o desperdício de tempo e energia com aspectos supérfluos e desnecessários da existência.
É preciso darmos toda nossa contribuição criativa, empregando os recursos de que dispomos em nossa área de atuação, em nossa casa, à nossa volta, quer seja tarefa simples ou complexa, remunerada ou gratuita. Quanto antes descobrirmos nossas potencialidades, melhor será para todos, mais belo e florido nosso pedaço de mundo se tornará. E esses preciosíssimos dons inatos farão toda a diferença, serão como um lindo buquê cheio de habilidades, capacidades e competências que em muito superam o aprendizado educacional atualmente disponível em seus vários níveis. Acredite nisso, acredite em Você.
Procuremos também libertar-nos de preconceitos e prejulgamentos adquiridos ao longo da caminhada que não estejam em sintonia com a verdade, herdados de familiares e educadores ainda limitados em sua evolução, mantendo-nos abertos e atentos para idéias novas, bem como para experiências interiores inesquecíveis e transformadoras. A perene busca pelo autodesenvolvimento normalmente passa longe da aceitação de doutrinas e crenças, seguidas pela grande maioria, que ainda se encontra adormecida, mas que pode estar a um passo do despertar, quando tocada da forma correta e no momento certo.
E sempre é bom lembrar o quanto vale a pena limpar nosso fardo, procurando nos libertar dos obstáculos internos, das feridas da infância, dos velhos erros, de tudo que não é amor. Muitos têm andado com perseverança no caminho e, de forma por vezes criteriosamente suave ou até instantânea, começaram a manifestar novos talentos, liberando como por magia toda a criatividade latente... e esta matéria prima também está abundante em cada alma humana... Sim, quando agimos e reagimos a partir de nossa essência, de nosso centro, conseguimos milagres, chegando a tocar o núcleo de Luz dos outros com minúsculas, mas poderosas sementes luminosas, mesmo que estes seres ainda se encontrem longe de empreender sua própria busca. É a lei de afinidade em ação, que atrai pessoas similares e repele as indiferentes, as ainda destrutivas, superficiais, mas que também, em data certa, chegarão lá...
E isso é tudo. Não me surpreende mais tanta repetição de temas; provavelmente estejamos todos precisando ler, reler, meditar e passar a vivenciar sempre, a cada momento, a cada passo dado, as leis do amor. A ter alegria, felicidade e orgulho em assumir e deixar transbordar em nossa vida o verdadeiro Amor. Incorporar o sentimento que supera de longe qualquer outro, que dispensa livros e ensinamentos dogmáticos, o que todos -do mais humilde ao mais dotado- podem compreender por completo: "Ame ao seu próximo como a si mesmo".

Sim, somos um só - eu sou o outro Você.


Sergio

domingo, 22 de novembro de 2009

Se pudesse redirecionar minha vida, teria voltado ao passado e caído no erro de mudar muitas coisas, teria feito de mim um completo idiota, ignorante e sem idéias destrutivas ou pensamentos ruins.
Se pudesse, faria de mim a pessoa mais vegetativa da terra, sem capacidade de ao menos tentar pensar.O tempo passa sem passar, as coisas existem sem existir, os preços a pagar são claros se erros são cometidos e erramos a todo instante, mas nem somos condicionados


a pagar alguma coisa, a menos que o que esteja em questão seja a nossa própria “dignidade”. Mas, será que a “dignidade” existe, humanamente falando? Eu sou digno por pensar que posso fazer bem à humanidade? Eu continuaria sendo se, por um deslize, fizesse tudo ao contrário? Quantos seriam capazes de me perdoar por um erro e quantos de fato me perdoariam? Eu mesmo me daria a chance do perdão para jamais voltar a cometer tal erro?
Tão incapaz de tomar decisões de autonomia própria, começo a duvidar da possibilidade...
Se pudesse voltar no tempo, ainda que fosse um erro fazer, faria viver quem queria que continuasse vivo e nada faria a aqueles que nunca tive contato algum.
Eu estaria sendo justo com as pessoas que sofreram por aquele que partiu? Estaria sendo justo com aquele que já havia partido trazendo-o de volta à vida?
Quantos eu não teria matado se tivesse feito tal escolha? Quantas histórias teriam que ser reescritas por minha causa?
Mas, na verdade, sei que nada disso tudo que foi descrito eu posso fazer e, ainda que exista a possibilidade e esta seja tentadora, eu sei que não faria nada, mesmo para mudar erros cometidos por mim, pois, se insistisse em fazer, estaria deixando de aprender etapas importantes da vida. Estaria mudando não só a mim, mas o mundo em que vivo. Faria quem estava triste feliz e, em contrapartida, quem estava feliz, triste.
Se eu pudesse escolher algo para mim nesse instante, acho que escolheria deixar as coisas como estão, porém, transportaria minha vida a um sonho e faria de cada um, seres felizes e amados. Transformaria o amargo em doce, o sujo em limpo, a dor em alegria, o ódio em amor e a mim em algo incapaz de fazer mal a alguém.
Me faria criança e deixaria permanecer apenas os aprendizados para continuar sendo bom, e, então, eu permaneceria nesse sonho até o fim dos meus dias que jamais existiram, só para não sentir a dor de viver podendo fazer o bem e o mal, para ser bom, apenas bom.
E você, seria capaz de não fazer nada se pudesse fazer tudo?
Bruno Miranda

sábado, 21 de novembro de 2009

Parar de evitar a si mesmo

Em geral, evitamos olhar de frente para os conflitos, sejam eles dentro ou fora de nós. Vamos protelando os fatos desagradáveis da vida com a "esperança" de que eles mudem com o tempo. Alguns se resolvem por si mesmos: outros, no entanto, quando vêm à tona, são verdadeiras explosões.
Tendencialmente, preferimos nos acomodar. Evitamos o confronto tanto externo como interno. No entanto, é ao admitir nossas falhas e fraquezas que começamos a cultivar uma boa estima, a confiança em nossa capacidade de refletir e de enfrentar os desafios básicos da vida. Na medida em que evitamos a nós mesmos nos tornamos vítimas passivas dos infortúnios da vida. Isto é, deixamos de contestar o que vemos e sabemos a respeito de nós mesmos. Quando recusamos a nós mesmos, perdemos a oportunidade de transformação.
Olhar de frente requer aceitação, um antídoto direto da tendência de evitar o que nos incomoda. Aceitar nossas falhas é uma atitude que desperta o autocomprometimento. Quanto mais aceitamos o que ocorre em nosso interior, mais perto estamos de nós mesmos e assim, podemos nos tornar agentes ativos em nosso desenvolvimento interior.
Aceitar é um modo de parar de lutar contra nós mesmos e de adquirir autorespeito. Quando aceitamos nossas falhas deixamos de sentir vergonha de nós mesmos. Nos tornamos testemunhas de nosso próprio processo de sofrimento. Aqui ocorre a verdadeira mudança: uma vez que não temos mais porque evitar a consciência de nossas falhas, torna-se mais difícil deixar de admiti-las! Uma vez tão próximos de nossa verdade interna, surge o desejo autêntico de fazer algo melhor por nós mesmos.
A esta altura, o desejo de mudar não está mais sustentado pelo desconforto de ser quem somos, mas sim pela vontade de nos oferecermos melhores condições!
A partir do momento em que aceitamos nossas falhas, elas deixam de ser fardos que temos que carregar inevitavelmente. Há um novo acordo interno. A autoresponsabilidade faz com que nos sintamos dignos de nós mesmos.
Quando nos decepcionamos, sentimos raiva de nós mesmos. Nestes momentos, aceitar nossas falhas poderia parecer concordar com nosso mal estar. Mas, não é isto... aceitar nossas falhas não quer dizer dar a mão à palmatória! É, sim, um ato de autocompaixão.
A ação compassiva baseia-se principalmente em não lutar contra, mas "com". A medida em que deixamos de atuar contra nós, mas com nós mesmos, desenvolvemos a autocompaixão.
O budismo nos inspira a sermos guiados pela sabedoria da compaixão. Yongey Rinpoche escreve em Alegria de Viver (Ed.Campus): "Quanto mais claramente vemos as coisas como são, mais dispostos e capazes nos tornamos de abrir nossos corações a outros seres."... "Ao aprender ver de onde a outra pessoa está vindo, qual é sua real condição, teremos menos chances de nos envolver num conflito, pois a clareza de saber distinguir as nossas limitações das limitações criadas pela outra pessoa irá nos proteger de não continuar agindo unilateralmente."
Neste sentido, ver com clareza gera energia, disposição para enfrentar o que em geral evitamos. Se aplicarmos a frase "Ao aprender ver de onde a outra pessoa está vindo" a nós mesmos, estaremos tendo uma atitude de autocompaixão. Admitir nossa real condição torna-se um modo de não gerarmos mais conflitos para nós mesmos, pois a clareza de saber distinguir as nossas limitações das limitações criadas por nosso hábito de evitar o confronto irá nos proteger de não continuar implicando com nós mesmos.
Quando passamos a acolher nossas falhas, nossa mente sossega, pois não precisamos mais escapar ou resistir. Aliás, para quem busca despertar a coragem de encarar a si mesmo, há uma frase poderosa a ser dita para antes de dormir: "Universo me revele a verdade".


Bel Cesar

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Sabedoria


"E no meio do inverno eu descobri que dentro de mim havia um verão invencível".


Quando li essa frase de Rubens Alves, tremi. Definia-me. Acho dentro de mim , invariavelmente, muitos verões. Ou pelo menos primaveras, quando o tempo ainda não está totalmente firme, mas as flores garantem o frescor das manhãs, e os pássaros chamam alegria. Sou uma otimista incorrigível. Tenho baques, como tantos, mas ponho a culpa nos hormônios e sigo em frente.
A única coisa que me pega de jeito, e me derruba se eu deixar, é o não seguir o que penso. É o não fazer o que sei ser o melhor para mim. Tenho em minha frente as respostas e ignorantemente ignoro. Isso acaba comigo, esta fraqueza, essa fragilidade humana que me impede de ser feliz.Mas a minha capacidade de sair do buraco é imensa. Talvez tenha aprendido que depois da tempestade vem um dia lindo, que o sol brilha mais depois da chuva. E que a parte mais escura da noite é de madrugada, pouco antes do amanhecer de um novo dia.
Não, não sou perfeita. Sou é teimosa. E aprendi a esperar o melhor momento. A usar de estratégias para ser feliz. Não dou mais murro em ponta de faca, nem choro pelo leite derramado. Espero, sempre, o melhor tempo para agir. O meu melhor tempo de reagir. Talvez seja uma falha, talvez seja uma vantagem.
Não sei. Só sei que dentro de mim sempre há um verão invencível.

Joyce Diehl

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Vencendo os obstáculos


Compreender o que nos impede de alcançar um estado de paz interior é um passo fundamental para tirar do caminho os obstáculos. Eles sempre são criados a partir de nossa mente.
Muitas pessoas se vêem de tal maneira dominadas pelas emoções, que nem sequer conseguem perceber o mecanismo que a mente utiliza para criar as limitações que -elas acreditam- existem em suas vidas.
Ao invés de focar no exterior, o movimento deve ser contrário, ou seja, voltar-se para seu próprio interior e buscar ali as razões do sofrimento. Não é fácil perceber isto, e muitos chegam até mesmo a odiar o terapeuta ou qualquer outra pessoa que tente lhes fazer enxergar esta verdade.
É muito comum que nesta etapa do processo muitos abandonem o tratamento, por considerar um absurdo que não tenham suas queixas compreendidas, e seu sentimento de vitima legitimado.
Somente quando se consegue ultrapassar este primeiro estágio, que constitui um verdadeiro choque, é possível começar a adquirir alguma consciência a respeito dos truques que a mente cria para nos manter sob seu domínio.
Aos poucos, vamos conseguindo perceber nas mais diversas situações, os pensamentos recorrentes que dominam nossa mente e nos mantém presos aos padrões de comportamento que insistimos em repetir.
Libertar-se da inconsciência só se torna possível através da prática permanente da atenção. Ela é a chave mágica que pode nos libertar da dualidade e levar-nos a um estado de consciência mais elevado, onde o sentimento de unidade com tudo o que existe passa a prevalecer.
"A coisa mais difícil, quase impossível, para a mente, é permanecer no meio, é permanecer equilibrada. E o mais fácil é movimentar-se de um pensamento para o seu oposto. Movimentar-se de uma polaridade para a polaridade oposta é a natureza da mente. Isso tem que ser entendido muito profundamente, porque sem que você entenda isso, nada poderá levar você à meditação. ....Quando você permanece no meio você não está reunindo momento algum. E essa é a beleza disso: um homem que não está reunindo momento algum para se mover a qualquer lugar, pode estar à vontade consigo mesmo, pode sentir-se em casa.....O tempo é criado pelo movimento da mente, exatamente como o movimento do pêndulo. A mente move-se, você sente o tempo. Quando a mente não está se movimentando, como você pode sentir o tempo? Quando não há qualquer movimento, o tempo não pode ser sentido. Cientistas e místicos concordam nesse ponto: que o movimento cria o fenômeno do tempo. Se você não está se movendo, se você está parado, o tempo desaparece, a eternidade chega à existência. .....A segunda coisa a ser entendida a respeito da mente é que a mente sempre quer o que está distante, nunca o que está perto. O que está perto é enfadonho, você fica farto dele. O distante lhe dá sonhos, esperanças, possibilidades de prazer. Assim, a mente sempre está pensando no distante.....Para a mente, o oposto é magnético e a não ser que, através da compreensão, você transcenda isso, a mente continuará movendo-se da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, e o relógio continua. Ele tem continuado por muitas vidas e é assim que você tem sido enganado - porque você não compreende o mecanismo.De novo o distante torna-se atraente e de novo você começa uma nova caminhada.....A mente é dialética, ela faz com que você se mova repetidas vezes em direção aos opostos. E isso é um processo infinito, ele nunca se acaba, a não ser que você, de repente, o abandone; a não ser que, de repente, você se torne consciente do jogo; a não ser que, de repente, você se torne alerta a respeito da trapaça da mente, e você pare no meio.Parar no meio é meditação. A terceira coisa: Porque a mente consiste em polaridades, você nunca é um todo. A mente não pode ser um todo, ela é sempre metade. ....A mente não é um mecanismo simples. Ela é muito complexa e através da mente você nunca pode tornar-se simples, porque a mente segue criando enganos. Ser meditativo significa estar alerta para o fato de que a mente está escondendo alguma coisa de si, de que você está fechando os olhos para alguns fatos que estão perturbando.Mais cedo ou mais tarde aqueles fatos perturbadores virão à tona, vão apoderar-se de si, e você irá em direção ao oposto. E o oposto não está longe, num lugar distante, em alguma estrela. O oposto está escondido atrás de si, dentro de si, na sua mente, no próprio funcionamento da mente. Se você puder compreender isso, você irá parar no meio. ....Quando você está equilibrado, a mente não está lá - então, você é um todo. Quando você é um todo, você é sagrado, mas a mente não está lá. Assim, meditação é um estado de não-mente. Através da mente esse estado não é alcançado. Através da mente, qualquer coisa que você fizer, ele nunca será alcançado. ....Quando eu digo meditação, eu quero dizer: ir além das polaridades opostas, deixar de lado todo o jogo, olhar para o absurdo disso e transcendê-lo. A própria compreensão se torna transcendência. .....Se você puder compreender isso, a meditação acontecerá em si.Na verdade, ela não é algo a ser feito, ela é uma questão de compreensão. Ela não é um esforço, ela não é algo a ser cultivado. Ela é algo a ser profundamente compreendido. Compreensão dá liberdade. Conhecer todo o mecanismo da mente é transformação. ...A felicidade somente pode acontecer para o todo, nunca para a parte.... Você é um reino dividido, existe um conflito constante dentro de si. Você diz alguma coisa mas aquilo nunca é o que você quer dizer, porque o oposto está ali impedindo, criando uma barreira.A mente entra quando você está dividido. A mente alimenta-se com a divisão. ....O que é felicidade? Felicidade é a sensação que surge em si quando o observador se torna o observado. Felicidade é a sensação que surge em si quando você está em harmonia, não fragmentado, uma unidade, não desintegrado, não dividido. Essa sensação não é algo que vem de fora. Ela é a melodia que cresce em si a partir da sua harmonia interior.....Muitas vezes, em meditação, você tem alguns vislumbres. Lembre-se: sempre que você sentir tais vislumbres, não diga: "quão belo é", não diga "quão amoroso é", porque é assim que você perde o vislumbre. Sempre que o vislumbre vier, deixe que ele esteja ali....Quando em meditação você tiver um vislumbre de algum êxtase, deixe que ele aconteça, deixe-o ir fundo. Não divida a si mesmo. Não faça qualquer declaração, senão o contato será perdido". OSHO - do livro, The Empty Boat.

Elisabeth Cavalcante

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Pensei ter encontrado....


Há um tempo para estar à frente, um tempo para estar atrás; um tempo para estar em movimento, um tempo para estar em repouso; um tempo para sermos fortes, um tempo para estarmos exaustos; um tempo para estar em segurança, um tempo para estar em perigo. O Mestre vê as coisas como são, sem tentar controlá-las. Ele deixa que elas sigam o próprio caminho, e reside no centro do círculo". (BUDA)
O Universo é sábio e estamos aqui para aprender a superar obstáculos, e, por isso, ele coloca em nosso caminho pessoas, que com suas características, irão nos servir de espelhos, onde poderemos olhar e reconhecer em nós as mudanças que precisam ser feitas e, assim, sairmos do sofrimento.
Em uma das Vivências que faço sobre relacionamentos, uma das participantes falou:
"Fico pensando o que mudou tanto na minha vida para que eu me sinta tão vazia, sem motivação, sem estímulo, sem graça e triste. Sinto um peso muito difícil de largar. O dinamismo que eu tinha sumiu, e estou apática: Já me questionei: larguei um parceiro que me fazia sofrer, e, hoje, em outra companhia, achei que estaria diferente, mas não, estou pior! Antes, mesmo com todas as dificuldades, eu era alegre, espontânea, brincalhona, irreverente, e, hoje, me sinto velha, sem vida!"
O problema não está na parceria que estabelecemos e, sim, em nós. Somos os únicos responsáveis pelas experiências que passamos. Como transformar os padrões de comportamento que acarretam sofrimento interior?
Dizemos que as situações são repetitivas, mas, na verdade, são acontecimentos diferentes, proporcionando situações que nos colocam frente a frente com o mesmo ensinamento, ou seja, como não aprendemos na 1ª vez, a vida dá outra chance, como se nos dissesse: "meu filho, não conseguiu entender daquele jeito, mas não tem problema, vamos experimentar de outro". Podemos questionar: o que aconteceu na primeira vez com ela? Conseguia ser alegre apesar de sofrer com a falta de companheirismo, a ausência de diálogo, onde não se sentia reconhecida, respeitada, pois, esta era a sua queixa.
Com o segundo parceiro, apesar de ser uma pessoa que lhe dava tudo que faltava no outro, passou a se incomodar com as críticas, acusações e julgamentos, além da cobrança, que lhe sufocava e castrava toda sua espontaneidade e alegria, não lhe permitindo ser verdadeira, autêntica.
Duas pessoas diferentes, com atitudes diferentes também, lhe ensinaram o quê? Perguntei.
Na verdade, ela não se reconhecia e nem respeitava suas necessidades, e a vida, primeiro lhe deu um parceiro indiferente, alienado, desrespeitoso; o segundo lhe apontava um dedo acusador até a exaustão, para que, perdendo sua identidade, acordasse para a necessidade de voltar-se para dentro, e, sentindo falta das características que eram seu diferencial, gritasse para seu espírito: Volte! Eu sou Você!
E, o mais interessante: os dois viviam como se fossem sozinhos, não tivessem parceira, ensinando-lhe a ficar com ela mesma. Sem outra opção, passou a gostar muito de sua própria companhia, a não "precisar"do outro!
Somos instrumentos uns dos outros aqui neste plano e seria até mais lógico agradecer essas ferramentas que, apesar de machucar, nos consertam e aprumam. O trabalho da descoberta de si mesmo, do alinhamento da nossa personalidade, é individual e precisa de força de vontade e consciência para que não acumulemos mágoas e ressentimentos ao sermos confrontados, pois, não conseguiremos evoluir mesmo reconhecendo nossa responsabilidade, se deixarmos que esses baixos sentimentos e pensamentos encontrem guarida em nossos corações.
Se fixarmos a atenção na injustiça que recebemos, estaremos projetando carência na nossa vida. Se reconhecermos que esses acontecimentos são fruto do nosso sentimento de desmerecimento, teremos que encarar o quanto nos sentimos indignos de amor e endurecemos o coração com medo que as histórias se repitam, e, a partir dessa informação, tomarmos a atitude de fazer outra escolha.
Podemos escolher continuar experimentando outras maneiras de aprender, ou mudar essa situação, mas, só reconhecendo o que precisa ser compreendido que podemos transformar.
Honestidade emocional é fundamental para o crescimento espiritual!
Teremos capacidade de amar a nós mesmos se despertarmos para nossas verdades internas, sem tentar converter as pessoas, e, sim, amá-las e aceitá-las como são, sem a ilusão do conto de fadas, do príncipe. Criando regras, o amor é reprimido e negado, e ninguém é feliz. A realidade é uma só: valorizando e respeitando nosso ser interior, não fará diferença como o outro se apresenta para nós pois estaremos nos amando, e o amor sempre será nosso maior professor.
Vera Godoy

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Dando mais um passo

Quando estamos tão sofridos que até nos parece que não agüentaremos mais, quando nos percebemos tão sozinhos e com o sentimento de um extremo abandono, a luz parece que desaparece... Mas aí, então, é preciso que, seja por obstinação, seja por obediência a uma profunda voz interior, demos mais um passo, um apenas, aquele que vai fazer toda a diferença e que vai nos libertar daquele momento escuro da alma, vivido ocasionalmente por todos nós! Deixando de lado a pena que sentimos de nós mesmos e seguindo um impulso para o alto e para frente, andamos mais um pouco, abandonando o passado e esperando com confiança o futuro. É este o movimento natural da Vida, que precisamos respeitar. Tudo passa... Os momentos difíceis também têm um fim e se vividos plenamente, nos transformam e fortalecem.
Será que o Sol deixa de aparecer, iluminando o dia escuro, apenas porque está cansado de presenciar tanto descalabro e, desalentado se retrai? Será que a maré deixa de encher e vazar, porque está muito triste por causa das misérias que percebe, nas praias que beija, em todos os continentes? As nuvens escuras de chuva retêm a água que precisa cair para encher as represas e enriquecer o solo, possibilitando as boas colheitas? As lagartas deixam de se tornar borboletas, os dias deixam de escurecer, as flores se esquecem de abrir, desanimadas pela tristeza que sentem existir entre os humanos? Não, a Vida continua. E sempre será assim. Também cada um de nós precisa seguir este fluxo, indo ao encontro do que está chegando, esperando dias mais felizes, mais amenos, mais plenos de Amor e de Paz.
Dizem que a hora mais escura da noite é aquela que se vive bem antes da luz se fazer, com a entrada triunfante do Sol neste lado em que estamos do planeta. Precisamos acreditar na Vida, no Amor, na colheita que faremos de nossos anseios e atitudes plenos de uma sintonia com o Bem e isto precisa nos vitalizar a ponto de darmos o próximo passo, sempre mais um, mais um...
São reflexões de minha alma, diante de tanta tristeza, contemplando a desarmonia e o desequilíbrio do momento em que nós vivemos. Não é verdade que tenho as respostas, que sei o que fazer, que não sofro. O que partilho com vocês são as respostas interiores que meu Ser me dá, quando paro um pouco para meditar sobre o que estou sentindo. São lampejos de luz que certamente vêm de meu Espírito e que me acalmam, deixando-me mais serena depois.
A orientação que me chega, então, é a de não desanimar. Nunca! Mas seguirmos andando, sempre para frente, apoiados na luz que temos em nós, o Amor do Cristo interior, a nossa fé enorme na vitória do Amor que nos criou, nos mantém e há de nos fortalecer e conduzir pelos caminhos a seguir.
A paisagem é deveras triste, mas há um horizonte sempre à frente e um Sol que não se cansa de nos acordar com um belo espetáculo de cores e vibrações radiantes de energia e Vida!
Haveremos de vencer, se não nos deixarmos abater e, acreditem, há muitos que gostariam de nos ver derrotados, fazendo parte do círculo onde eles se comprazem em viver sem fé, caídos e sem esperança. Dando sempre mais um passo, venceremos no Bem e um dia todos eles também!

Maria Cristina